Segundo Constance
e Kamii, em um trecho do seu livro “A criança e o Número”:
"Quando ensinamos número e aritmética
como se nós, adultos, fôssemos a
única
fonte válida de retroalimentação, sem querer ensinamos também que a verdade só
pode sair de nós. Então a criança aprende a ler no rosto do professor sinais de
aprovação ou desaprovação. Tal instrução reforça a heterônoma da criança e
resulta numa aprendizagem que se conforma com a autoridade do adulto. Não é
dessa forma que as crianças desenvolverão o conhecimento do número, a
autonomia, ou a confiança em sua habilidade matemática. (...) Embora a fonte
definitiva de retroalimentação esteja dentro da criança, o desacordo com outras
crianças pode estimulá-la a reexaminar suas próprias ideias. Quando a criança discute
que 2 + 4 = 5, por exemplo, ela tem a oportunidade de pensar sobre a correção
de seu próprio pensamento se quiser convencer a alguém mais. É por isso que a
confrontação social entre colegas é indispensável (...).
O professor deve trabalhar com objetos de
seu cotidiano para que assim a criança tenha mais facilidade em associar os
números à quantidade de objetos; para que a criança construa o conceito
de número, que é um conceito complexo, é preciso que o professor lhe ofereça
inúmeras atividades de classificação, seriação, ordenação de quantidades.
Segundo Piaget (
GOUBERT, 2002) demonstra em suas investigações que para haver compreensão dos
números a criança precisa estabelecer a relação quantitativa entre determinados
elementos e o número correspondente a essa quantidade. Por exemplo, a relação
entre oito elementos e o número oito. Para chegar a esse entendimento, ela deve
fazer uma síntese operatória entre procedimento de classificação e de seriação,
uma vez que o numero designa “uma classe de objetos seriados”. O número cinco,
por exemplo, corresponde a uma classe de cinco elementos e, ao mesmo tempo
pertence a uma serie.
Para ajudar a
construir o conceito de número, por exemplo, que é um conceito
lógico-matemático, deve-se propiciar experiências em diferentes graus de
complexidade, isto porque, este é um conceito cuja construção demanda tempo e
envolve várias gradações: números naturais, racionais, negativos, reais,
complexos.
Fonte: KAMII, Constance. 1987. A
criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget por
atuação. Campinas: 6º ed. Papirus; 124p.
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