sábado, 15 de setembro de 2012

Possibilidades e intervenções do professor no processo inicial do conceito de números






  Segundo Constance e Kamii, em um trecho do seu livro “A criança e o Número”:
 "Quando ensinamos número e aritmética como se nós, adultos, fôssemos a
única fonte válida de retroalimentação, sem querer ensinamos também que a verdade só pode sair de nós. Então a criança aprende a ler no rosto do professor sinais de aprovação ou desaprovação. Tal instrução reforça a heterônoma da criança e resulta numa aprendizagem que se conforma com a autoridade do adulto. Não é dessa forma que as crianças desenvolverão o conhecimento do número, a autonomia, ou a confiança em sua habilidade matemática. (...) Embora a fonte definitiva de retroalimentação esteja dentro da criança, o desacordo com outras crianças pode estimulá-la a reexaminar suas próprias ideias. Quando a criança discute que 2 + 4 = 5, por exemplo, ela tem a oportunidade de pensar sobre a correção de seu próprio pensamento se quiser convencer a alguém mais. É por isso que a confrontação social entre colegas é indispensável (...).
O professor deve trabalhar com objetos de seu cotidiano para que assim a criança tenha mais facilidade em associar os números à quantidade de objetos;                                  para que a criança construa o conceito de número, que é um conceito complexo, é preciso que o professor lhe ofereça inúmeras atividades de classificação, seriação, ordenação de quantidades.
Segundo Piaget ( GOUBERT, 2002) demonstra em suas investigações que para haver compreensão dos números a criança precisa estabelecer a relação quantitativa entre determinados elementos e o número correspondente a essa quantidade. Por exemplo, a relação entre oito elementos e o número oito. Para chegar a esse entendimento, ela deve fazer uma síntese operatória entre procedimento de classificação e de seriação, uma vez que o numero designa “uma classe de objetos seriados”. O número cinco, por exemplo, corresponde a uma classe de cinco elementos e, ao mesmo tempo pertence a uma serie.
Para ajudar a construir o conceito de número, por exemplo, que é um conceito lógico-matemático, deve-se propiciar experiências em diferentes graus de complexidade, isto porque, este é um conceito cuja construção demanda tempo e envolve várias gradações: números naturais, racionais, negativos, reais, complexos.

Fonte: KAMII, Constance. 1987. A criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget por atuação. Campinas: 6º ed. Papirus; 124p.

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